sexta-feira, 4 de junho de 2010

Você conhece Shawn Fanning ?


A busca incessante por lucros, a guerra de números e toda carga competitiva e individualista que advém do nosso modelo de sociedade reflete-se em casos curiosos de interação entre empresas e pessoas. Não podemos precisar se as conseqüências dessas relações são conscientes ou inconscientes. O relevante aqui é que a sociedade muitas vezes reage e rompe padrões de forma normalmente irreversíveis. Assim, toda a capacidade de previsão e controle que as empresas gastaram fortunas para desenvolver, cai por terra.
Nos bons tempos do mercado fonográfico, artistas tinham liberdade de expor suas idéias e eram bem menos limitados por gravadoras multinacionais, produtores musicais gananciosos, gerentes de marketing etc. Músicas podiam ter 10 minutos, arranjos podiam soar estranhos e originais, refrões repetitivos não eram obrigatórios. Ao mesmo tempo, a necessidade de gerar receita e impor seus artistas pouco talentosos, tornou necessários suntuosos investimentos em publicidade, estratégia e marketing. Em termos metafóricos poderíamos dizer que dinheiro gera exposição, convence e transforma artistas medianos em astros.
Assim, normas foram criadas: 3:30 minutos para cada música, um disco tem que ter 12 canções, estilista contratados para assessorar nas roupas, etc. As rádios cada vez mais passaram a cobrar para colocar no ar os artistas dessas gravadoras, afinal se eles gastam tanto seria justo a rádio dividir essa fatia do bolo também.
Mais tarde, no ano de 1999 um universitário americano chamado Shawn Fanning fundaria o Napster, um site de trocas de música online, que seria o início da resposta ao preço astronômico que os discos atingiam dado os gastos da gravadora na tentativa de ditar o gosto das pessoas. Concomitantemente ocorreu um significativo advento de processos que baratearam equipamentos de estúdio tornando possível se montar uma central de gravação em um quarto de um apartamento com baixo investimento.
Hoje os músicos produzem e divulgam seu trabalho diretamente, e as gravadoras perderam sua utilidade e navegam por prejuízos astronômicos basicamente pelo fato de não terem tido humildade ou capacidade para entenderem de pessoas. Não souberam ganhar dinheiro ouvindo as pessoas e respeitando seus gostos, castraram a liberdade do artista, deixaram os talentosos de lado e investiram em marketing, e preferiram ditar as tendências. Infelizmente levaram para o fundo do poço, junto com eles próprios, direitos autorais de compositores e criadores, mas isso ainda vai ser resgatado pelos próprios artistas que cada vez mais tendem a serem donos de suas obras. Viva o Shawn!!

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