sexta-feira, 4 de junho de 2010
Eu..robô?
Muitas pessoas ao observar o tamanho deste texto cogitarão, ainda que por um breve instante, a hipótese de desistir de ler antes mesmo de tentar. O frenesi e a velocidade caótica do capitalismo atual imprimiram nas pessoas um ritmo robótico que doutrina seus sentidos e fragiliza suas relações interpessoais de maneira avassaladora.
Conversas que antigamente eram de corpo presente passaram a ser feitas por telegramas, cartas, telefone, e mais recentemente se tornaram virtuais através de email, sites de relacionamento etc. O toque, o olho no olho, o abraço e outras trocas importantes para esse equilíbrio emocional humano hoje chegam a ser ditados por marcas, que estipulam até quantas palavras podemos digitar em cada mensagem. No caso do Twitter, são 140.
Essa objetividade compulsória certamente cobra um preço muito caro quando se internaliza nas pessoas. Assuntos são tratados como números exatos, clientes como códigos, reflexões mais profundas sobre a maioria dos assuntos são sumariamente rejeitadas. O que resta é um tempo cada vez mais curto para nos relacionarmos e pensarmos sobre um mundo cada vez mais complexo, carregado de informações e repleto de variáveis e possibilidades. A impressão que fica, é que talvez o medo do incerto tenha apontado nossas atenções para o futuro, para projeções ainda por vir. O presente, era esta na qual vivemos, simplesmente fica de lado.
A necessidade de achar espaço para a quantidade de informação faz com que cada vez mais seja inviável nos aprofundarmos nos assuntos. O problema é que as pessoas não deixaram de ser complexas, densas, carentes, frágeis ou sensíveis enquanto humanas. A cena clássica de Chaplin operando roboticamente um torno mecânico no filme “Tempos Modernos”, certamente é mais atual que quando foi filmada.
É preciso valorizar também a teoria, dissertar livremente sem pressa ou culpa, ter tempo para pensar e se expressar. Grandes idéias surgem de longos “brain storms” e os melhores insights nascem longe de pressões de tempo e dinheiro. A palavra chave será sempre equilíbrio.
O importante é encontramos nosso próprio ritmo, que às vezes pode ser livre e improvisado como jazz, intenso como o rock, calmo como a música clássica, alegre como o samba, formal como o tango, etc. Esperamos sempre que o maestro, músico ou dj nos deixe participar das suas escolhas e que não interrompam nossa música na metade ou porque é hora do comercial.
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