quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Esse tal João...



A história de Santo Cristo partia da figura de um menino inocente, sofrido e inquieto que sabia que precisava ganhar o mundo pra viver sua epopéia. A trilha musical que narrava a história transitava entre o folk, rock e até mesmo o reggae. A letra tinha palavrões (isso era novo) que a rádio substituía com o famoso sinal sonoro (“pi”) até hoje usado pra substituir palavrões nas emissoras de TV e rádio.

Essa canção que já era um filme na mente de quem ouvia, contava a saga de um brasileiro que aparentemente jamais deixará de existir. Aquele João resumia quase todas as dores sociais possíveis. Ele estava tão próximo do nosso cotidiano que parecíamos conhecê-lo desde pequenos.

Em sua trajetória, encontramos várias nuances de uma rica personalidade tão humana quanto a própria existência. João durante sua vida foi tudo:


Sofrido ("Quando criança só pensava em ser bandido, ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu").

Ambicioso ("Sentia mesmo que era mesmo diferente, sentia que aquilo ali não era o seu lugar")

Sonhador (“Ele queria sair para ver o mar e as coisas que ele via na televisão”)

Sedutor (“Comia todas as menininhas da cidade de tanto brincar de médico aos doze era professor”)

Corajoso (“Não tinha nenhum medo de polícia, capitão ou traficante, playboy ou general”)

Sensível (“Foi quando conheceu uma menina e de todos seus pecados ele se arrependeu”)

Ético (“não boto bomba em banca de jornal nem em colégio de criança, isso eu não faço não").

Marginal ("Falou com Pablo que queria um parceiro que também tinha dinheiro e queria se armar")

Passional (“E mato também Maria Lúcia, aquela menina falsa pra quem jurei o meu amor”)

Mito (“E o povo declarava que João de Santo Cristo era santo porque sabia morrer”)

Herói (“Ele queria era falar pro presidente, pra ajudar toda essa gente que só faz...sofrer.”)

Em sumo, João era, ainda é, e sempre será um país chamado Brasil. Eu só me pergunto como devem ter sido os momentos em que essa canção foi escrita. Quando veio a primeira idéia e a última sessão no estúdio onde ela foi gravada...isso é pura história brasileira.

9 minutos...



Em algum dia no final do ano de 1987 (novembro ou dezembro) fui à casa de um amigo que morava alguns andares acima do meu apartamento. O assunto era pra ser rápido, e se tratava de uma venda de algum equipamento meu de guitarra para ele. Ao chegar a sua casa, vi numa estante perto dos toca-discos, uma capa inédita cujo disco (vinil) já se encontrava na vitrola desligada. Ele me disse que tinha acabado de chegar às lojas e que fora dos primeiros a comprar: chamava-se “Que país é esse?", da Legião Urbana.

Embora eu já fosse fã dos discos anteriores e acompanhasse atentamente as notícias sobre o novo disco que resgataria algumas canções antigas da banda, ao me deparar com a capa já não gostei muito. A foto do quarteto me fez pensar que aquele disco poderia ser mais uma exigência contratual com a gravadora do que algo realmente do coração dos caras.


Misturando minha ansiedade em ouvir cada música e a mania de tocar um pouco de cada faixa antes de me aprofundar, o amigo foi me mostrando cada faixa a meu pedido. Logo senti uma Legião mais revoltado que parecia resgatar a veia punk que o originou desde os tempos do Aborto Elétrico. Músicas como “Que país é esse?”, “Química”, ‘Conexão Amazônica” e Tédio (com um T bem grande pra você) soavam bem fortes porém meio adolescentes. “Angra dos Reis” e “Eu sei” davam o contra peso muito especial com suas ricas melodias e letras.

Eis que já com minha curiosidade quase saciada e com a sensação de que entendera a estética da obra, surge então a faixa que transformaria um dia comum em um momento histórico. Momento esse que nos faz deparar com possíveis mágicas com as quais a vida pode nos brindar às vezes. Sob os tímidos chiados causados pelo atrito da agulha no vinil, surgiam os primeiros acordes do que parecia uma balada folk, que em poucos segundos me deixaria catatônico e perplexo ao mesmo tempo. A bela voz grave de Renato entoou “Não tinha medo o tal João de Santo Cristo, era o que todos diziam quando ele se perdeu. Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda, só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu”.



De mero ouvinte ainda de pé próximo as caixas de som, eu procurei o encarte com a letra enquanto me ajeitava às pressas no sofá com as mãos quase trêmulas. Talvez eu parecesse um cientista após a descoberta da fórmula que há séculos buscava. Pedi ao amigo que recomeçasse a faixa, pois eu não tinha prestado a devida atenção já que o susto da descoberta ainda me deixava em certo transe. Começava ali uma jornada de horas e horas ouvindo a mesma música nos próximos dias em casa (disco comprado) como milhares de brasileiros que até hoje em dia sabem a letra desta obra prima da sensibilidade humana que dura mais que perfeitos 9 minutos.


Meus ouvidos e minha mente revezavam a atenção a música ao mesmo tempo em que se indagavam: isso é real? Está acontecendo? Esse cara escreveu isso mesmo?. Mas cada nota dos violões, cada estrofe da letra e cada harmonia na voz de Renato era um beliscão na alma, que me dava certeza que aquilo não era um sonho. Em pouco tempo até gananciosas rádios se curvaram aquele hino épico, ocupando sua programação com aquela música tão pedida pelos ouvintes, que tirava o espaço de 2 ou 3 músicas mais comerciais.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Monty Python

Esse grupo inglês de comédia é pioneiro no humor escrachado e cínico, com muita intelectualidade e finesse nos seus filmes como o clássico " Monthy Python and the Holy Grail".






terça-feira, 27 de outubro de 2009

Comfortably Numb

Uma das mais belas letras do rock, o solo mais perfeito da história da guitarra, um arranjo impecável do início ao fim !! Um dos pontos altos do épico The Wall, essa música é meu hino. Acho que é o mais próximo que já cheguei de Deus através dos meus ouvidos...



Paris, Texas

Um dos filmes mais humanos, calados, originais, fortes, introspectivos e geniais de todos os tempos: Paris, Texas.O mestre Wim Wenders dirige a belíssima Natassja Kinski numa história comovente sobre desilusão e perda. O silêncio de algumas cenas falam através da antológica trilha do guitarrista Ry Cooder (conhecido por Buena Vista Social Club). A cena de abertura já antecipa uma obra prima da história da sétima arte...


terça-feira, 20 de outubro de 2009

Ja pensou nisso também?


Algumas vezes já me encontrei em alguns breves e extremamente dolorosos momentos quando penso que um dia não mais farei parte deste mundo. Isso é tão misterioso e assustador ao mesmo tempo, que chego a quase acordar suando frio desses pensamentos como alguém que desperta de um sonho ou pesadelo ainda confuso sem saber se isso é real ou não.

Muitas pessoas também já me confessaram sentir esse calafrio, quando essa certeza de um dia não mais existir invade sua consciência ainda que por alguns segundos. Sempre me questionei ou busquei alguma razão plausível que justificasse esse medo. Aliás, que todos reconheçam a importância do medo na nossa vida quando bem administrado. O medo faz a gente pensar, questionar, evitar, analisar e no mínimo tomar decisões com mais prudência, critério ou coerência. Não vou aqui, discutir o óbvio lado negativo do medo.

A conclusão a qual cheguei sobre a possível origem desse medo de não mais existir um dia, vem de um forte apego e amor à vida e às pessoas que nos cercam. Perder isso tudo realmente assusta. O quanto mais alguém realmente é feliz, mais medo (em tese) ele terá de não mais ser.

Em todas as situações de violência e desapego à vida que inundam os telejornais de hoje, sempre é claro e nítido um dos sentimentos que considero mais tristes na escala humana: não ter nada a perder. Quem não tem nada a perder não vive nem antes mesmo de qualquer conseqüência trágica de um ato de desespero. Por mais paradoxal que seja, caminhamos cada vez mais no sentido de legitimar esse sentimento de não se ter nada a perder. Sim, evoluímos como biologia, mas como espécie pensante estamos cada vez mais primitivos.

Existe uma frase numa belíssima canção do Caetano Veloso que expressa muito bem esse apego a que me refiro em relação a vida (passagem para os mais místicos) na Terra:

“Terra
por mais distante
do errante navegante
quem jamais te esqueceria”

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

What s that? Pai(ciência)

O titulo original desta pequena jóia é "What s that?". Mas por impulso e emoção que o filme me causou, repassei a amigos e parentes com o título de Pai(ciência).

É genial como uma idéia aparentemente simples pode gerar uma reflexão tão complexa e profunda ao mesmo tempo.

Apresentando













A idéia do termo "neurônios do mal" surgiu há tempos, quando ao conversar e dar conselhos a amigas e amigos comecei a causar nas pessoas reações favoráveis ao emitir opiniões politicamente não tão corretas sobre a vida e suas questões. Sempre fui tomado por uma capacidade quase bipolar de ver o mundo por ângulos que oscilam entre um humor sarcástico e um sensibilidade poética.

Já mais velho, descobri que ao nascer, a primeira frase que meu pai disse pra mim foi : "que menino inteligente!". Não que essa profecia tenha se transformado necessariamente em verdade, até porque o conceito moderno de inteligência é muito mais abrangente e complexo hoje em dia, e a maoiria das pessoas parece associar apenas ao Q.I. ; mas o curioso é pensar como esse lado racional e/ou cerebral ja me acompanhava desde os primeiros passos até na vontade paterna.

Falando de algumas mentes e pessoas que admiro muito (não necessariamente em ordem de importância) eu citaria : Roger Waters, Nietzsche, Caetano Veloso, Renato Russo, Chico Buarque, Tom Jobim, Vinicius, Tarantino, Bob Marley, Stanley Kubrick, Salvador Dali, Van Gogh, Woody Allen, Jimmy Page, Verissimo, Gerald Thomas, Armando Nogueira, Fernanda Young e tantos outros que cometerei a injustiça de não citar por economia de palavras, mais nada.

Hoje, formado em psicologia pela PUC RJ (nunca exerci), conformado por não ter realizado o sonho de ser da área de criação em publicidade, trabalho no ramo de entretenimento. Também sou músico (guitarra, baixo e teclado) e produtor nas horas vagas, apaixonado por cinema (sétima arte mesmo!!) e música (eletrônica/rock).

Postarei aqui alguns pensamentos a respeito de coisas que no cotidiano vão surgindo ou há tempos me chamam a atenção. Sejam bem vindos!! Comentem, apoiem ou discordem, riam ou chorem, gostem ou desgostem, mas opinem também.