
Algumas vezes já me encontrei em alguns breves e extremamente dolorosos momentos quando penso que um dia não mais farei parte deste mundo. Isso é tão misterioso e assustador ao mesmo tempo, que chego a quase acordar suando frio desses pensamentos como alguém que desperta de um sonho ou pesadelo ainda confuso sem saber se isso é real ou não.
Muitas pessoas também já me confessaram sentir esse calafrio, quando essa certeza de um dia não mais existir invade sua consciência ainda que por alguns segundos. Sempre me questionei ou busquei alguma razão plausível que justificasse esse medo. Aliás, que todos reconheçam a importância do medo na nossa vida quando bem administrado. O medo faz a gente pensar, questionar, evitar, analisar e no mínimo tomar decisões com mais prudência, critério ou coerência. Não vou aqui, discutir o óbvio lado negativo do medo.
A conclusão a qual cheguei sobre a possível origem desse medo de não mais existir um dia, vem de um forte apego e amor à vida e às pessoas que nos cercam. Perder isso tudo realmente assusta. O quanto mais alguém realmente é feliz, mais medo (em tese) ele terá de não mais ser.
Em todas as situações de violência e desapego à vida que inundam os telejornais de hoje, sempre é claro e nítido um dos sentimentos que considero mais tristes na escala humana: não ter nada a perder. Quem não tem nada a perder não vive nem antes mesmo de qualquer conseqüência trágica de um ato de desespero. Por mais paradoxal que seja, caminhamos cada vez mais no sentido de legitimar esse sentimento de não se ter nada a perder. Sim, evoluímos como biologia, mas como espécie pensante estamos cada vez mais primitivos.
Existe uma frase numa belíssima canção do Caetano Veloso que expressa muito bem esse apego a que me refiro em relação a vida (passagem para os mais místicos) na Terra:
“Terra
por mais distante
do errante navegante
quem jamais te esqueceria”
Parabéns! Continue escrevendo, pois você tem muita poesia na alma.
ResponderExcluirBjs,
Célia